Ao Washington Post, Lula diz que relação pessoal com Trump pode evitar mais tarifas
O petista concedeu sua primeira entrevista sobre o encontro com o republicano ao jornal norte-americano

“Se eu consegui fazer Trump rir, posso alcançar outras coisas também”, disse Lula.
Ao Washington Post, o chefe do Executivo afirmou que a falta de respeito resultou na deterioração das relações entre os países em 2025, com a aplicação de tarifas e sanções contra o Brasil. Segundo Lula, o Planalto estava disposto a dialogar sobre as divergências, mas só se fosse tratado como igual.
“Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente”, declarou. O petista disse que o Brasil “tem muito orgulho do que é” e “não precisa se curvar a ninguém”.
Sobre a relação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e Trump, Lula negou ter tentado criar atrito entre eles. O chefe do Executivo falou que “jamais pediria” ao republicano para “não gostar” do capitão da reserva.
“Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”, afirmou.
Quanto à possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, Lula disse que os Estados Unidos “não farão isso”. O presidente brasileiro ainda argumentou que a medida por si só não acabará com o tráfico de drogas.
No espectro dos conflitos mundiais, Lula contou que Trump sabe de seu posicionamento contra a guerra com o Irã e a intervenção na Venezuela, além da situação na Palestina. “Minhas divergências políticas com [o republicano] não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que quero é que trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, afirmou.
Sobre Cuba, Lula voltou a falar que Trump disse que os Estados Unidos não irão invadir a ilha.
Apesar das tentativas de Brasília em mediar a paz na Venezuela e na Ucrânia e as negociações entre os Estados Unidos e Cuba terem falhado, Lula demonstrou ao Washington Post que quer posicionar o Brasil como intermediário em conflitos globais. O petista relatou continuar profundamente preocupado com os rumos da política global e considera haver uma erosão da cooperação multilateral.
Lula disse esperar que Trump seja convencido de que os Estados Unidos “podem desempenhar papel importante no fortalecimento da paz, da democracia e da cooperação multilateral”. Para o chefe do Executivo brasileiro, é algo “difícil”, mas declarou que, se não acreditasse na “persuasão”, “não estaria na política”.





